A Revista

Qual o sentido, hoje, da palavra República? Responder a essa pergunta com a enfadonha e gasta “coisa pública”, evidentemente, já não nos estimulará em nada. É que a expressão precisa ser relida com contornos mais abrangentes, de forma a abarcar tudo quanto um país, uma sociedade, precisa – de material e imaterial – para identificar-se como tal, para seguir sendo uma expressão do convívio social organizado. Assim entendida, a República passa a ser um feixe de bens e valores como a Natureza, a Cultura, a Educação, a Cidadania, a Segurança, a Paz, a Administração Pública, a Saúde Pública, a Urbanidade, a Tradição, a Ciência, dentre outros. É nesta nova dimensão que a República precisa e quer ressurgir, neste concerto de nações que compõem, histórica e culturalmente, o Ocidente.

A República é também um anseio, uma meta, um projeto; ela não se materializa por si só. É preciso que haja um esforço concatenado, partilhado pelos indivíduos e pelo Estado, para realizar este sonho. Na última década, o país que amamos viu-se reconhecer como o estuário dos grandes projetos do planeta e vem se credenciando para, na próxima década, ingressar no Olimpo das nações civilizadas, pródigas social e economicamente, e paladinas dos direitos humanos. Para isso, será preciso superar desafios monumentais: a desigualdade – hoje refletida na miséria – e as rudimentares condições da Educação, da Saúde e da Segurança Pública.

Os próximos anos verão um Brasil tendo que agir decisivamente, sem hesitação, sem temor, para garantir a defesa dos direitos individuais e coletivos da sociedade. Como entidade representativa dos procuradores da República, foi justamente com o intuito de valorizar a defesa desses conceitos que a ANPR escolheu um novo nome para a sua revista: A República.

Selecionaram-se alguns dos temas de relevância nacional para aprofundar o debate com informações diferenciadas para os leitores. As matérias desta edição abrangem desde o compromisso de processos eleitorais cada vez mais idôneos até o tratamento justo e humanitário para presos e acusados, passando pela necessidade de repatriação de documentos da ditadura militar e também por movimentos sociais cuja atuação resulta na ampliação da cidadania para os brasileiros.

A complexidade dos temas é proporcional ao desafio que representam. É claro que cada Poder, cada instituição, cada cidadão, tem muito o que fazer em prol disso; e é justo reconhecer que assim vem ocorrendo, de modo fragmentário, com maior ou menor engajamento e comprometimento. A ANPR, com A República, espera cumprir este papel. Boa leitura!